Padre Jakub Wróbel, o padre astrônomo

Há 120 anos, o padre construía instrumentos astronômicos e dava aulas de observação do céu para os colonos de São Mateus

Gerson Cesar Souza

Jakób Wróbel nasceu em Jasionka, na região polonesa da Galícia, em 14 de julho de 1860. Cursou Ginásio em Jaslo e fez filologia, na Universidade Jagiellonska de Cracóvia. Em 1887, trocou o curso universitário pelo Seminário em Przemyśl, sendo ordenado padre em 1891. Como sacerdote lecionou religião e trabalhou em várias paróquias até agosto de 1896, quando atendeu à convocação do Bispo e se inscreveu na lista de voluntários para pregar o evangelho aos colonos poloneses no Brasil.

Assumiu a capela da Água Branca, em São Mateus do Sul, em outubro de 1896. Entre 1897 e 1900 respondeu também pelas capelas de São Mateus, Rio dos Patos, Santa Bárbara e Cantagalo. Na Água Branca montou uma escola para os filhos dos colonos e mobilizou a população para a conclusão da construção da igreja (que existe até hoje!), fazendo a obra da torre, realizando a decoração interna e trazendo da Europa os quadros e imagens que ornamentam aquela capela. Conseguiu erradicar o alcoolismo, combateu a bruxaria e o satanismo, e entrou em guerra declarada contra a maçonaria. Em 1899, o pároco de Palmeira foi destituído pelo Bispo, por ser maçom, e acabou confiscando as chaves de uma das capelas dos imigrantes poloneses. Para resolver a situação, o padre Jakób Wróbel comandou um grupo de 50 poloneses armados, tomando a igreja de Palmeira e obtendo as chaves à força. No mesmo ano, comandou uma procissão para Curitiba, com colonos de várias localidades, onde por três dias pregou na catedral, enfrentando claramente a maçonaria.

Investiu fortemente na educação, criando em várias colônias escolas para os filhos dos imigrantes, e trazendo um grupo de religiosas para apoiar neste processo. Registros históricos mostram que o padre era dotado de uma inteligência extraordinária. Estudava astronomia, tendo construído um globo celeste e instrumentos para medir a posição das estrelas. Durante as missas, explicava conceitos astronômicos para os colonos, alterando o sentido dos quadros da via-sacra e das procissões, de forma a que todos lembrassem que o sol no hemisfério sul fazia um trajeto diferente do que no hemisfério norte. Durante a sua vida dominou pelo menos sete línguas: polonês, alemão, latim, grego, português, inglês e russo.

A rivalidade com a maçonaria gerou oposição ao padre na própria comunidade. Em 1914, durante a Festa de Purificação de Nossa Senhora, padre Wróbel resolveu realizar um teatro, confeccionado roupas para São José, Maria, Menino Jesus e outros personagens. Realizou uma procissão que daria a volta na capela, mas seus inimigos organizaram a procissão no sentido contrário. Quando os dois cortejos se encontraram iniciou-se as trocas de ofensas, e as velas, que pesavam cerca de um quilo, foram usadas como porretes numa pancadaria generalizada. O padre escondeu-se na sacristia, mas muitos saíram machucados.

Após este episódio, o padre recebeu um aviso em tom de ameaça: “Saia do Brasil!”. Wróbel foi para os Estados Unidos e atuou em várias paróquias na Pensilvânia. Com quase 70 anos, foi tomado por uma forte pneumonia e veio a falecer no dia de Páscoa, 21 de abril de 1935, deixando um extenso manuscrito sobre astronomia. Sua morte foi noticiada por vários jornais americanos, sendo considerado um homem santo pela população local.