O que é Refluxo Faringolaríngeo e Refluxo Gastroesofagofaringolaringeano

Apesar dos nomes complicados, trazem formas bastante simples de prevenção e de tratamento

O refluxo faringolaríngeo é uma manifestação considerada atípica da Doença do Refluxo Gastroesofágico. O refluxo gastroesofágico ocorre quando o conteúdo do estômago retorna ao esôfago; quando ele atinge a faringe, laringe ou árvore traqueobrônquica é considerado refluxo faringolaríngeo.

De todas as causas de laringite não infecciosa em adultos, o refluxo faringolaríngeo é provavelmente a causa mais comum. Estima-se que até 50% dos pacientes com queixas laríngeas tenham refluxo como fator causal ou de piora do quadro.

A laringite por refluxo pode ser aguda, crônica ou intermitente.

Os sintomas associados incluem:

  • Rouquidão
  • Gosto ruim na boca
  • Pigarro (limpeza frequente da garganta)
  • Sensação de corpo estranho ou pressão na garganta (bolo na garganta)
  • Dificuldade ou dor para engolir
  • Halitose (mau-hálito)
  • Tosse seca crônica
  • Dor de ouvido
  • Azia/queimação ou regurgitação

Os sintomas do Refluxo Faringolaríngeo podem ocorrer na ausência dos sintomas típicos da Doença do Refluxo Gastroesofágico, ou seja, na ausência de queimação/azia, regurgitação, dor torácica ou disfagia (dificuldade para engolir) em até 50% dos casos.

O diagnóstico de certeza da presença de refluxo é feito pela phmetria esofágica, que monitora os eventos de acidez no esôfago próximo ao estômago e da garganta.

A laringoscopia por vídeo pode evidenciar sinais indiretos que sugerem a presença do refluxo faringolaríngeo.

O tratamento do refluxo faringolaríngeo inclui a modificação de hábitos da dieta e estilo de vida, bem como uso de medicamentos e, em casos selecionados, cirurgia.

Entre as mudanças comportamentais podemos citar:

Os medicamentos têm como princípio diminuir a produção de ácido pelo estômago e melhorar a digestão (tornar o esvaziamento gástrico mais rápido).

Refluxo Gastroesofagofaringolaringeano 

Apesar do nome complicado, traz formas bastante simples de prevenção e tratamento.

O refluxo gastroesofagiano é um problema já bastante conhecido da população em geral. Tem como queixas principais a pirose (algumas vezes chamada de azia), aquela sensação de queimação atrás do esterno e a regurgitação de alimentos. É definido como o retorno do conteúdo gástrico para o esôfago causando sintomas ou complicações. Acontece que o refluxo gastroesofagiano, às vezes, apresenta-se tão somente com o que chamamos de sintomas extraesofágicos, fugindo da clínica clássica e dificultando o diagnóstico aos mais desavisados. 

Toda essa introdução vem para frisar um assunto bastante discutido e comuníssimo nos consultórios de otorrinolaringologia e gastroenterologia – o refluxo gastroesofagofaringolaringeano ou laringite de refluxo. De forma simplória, é a chegada do agente refluído à faringe e à laringe e aí ocasionando uma faringolaringite crônica irritativa e seus sintomas, que são muitas vezes inespecíficos. 

Os pacientes costumam relatar-nos pigarro e uma necessidade frequente de limpar a garganta, sensação de bolo ou corpo estranho na faringe, ardência ou aspereza na garganta e rouquidão. Menos frequentemente, tosse seca, mudança no timbre da voz, perda da extensão do canto, dor de ouvido, descarga de secreção nasal pela sua parte posterior (rinorreia posterior).

Ao realizarmos a videolaringoscopia, que é um exame rotineiro e ambulatorial, feito com anestésico tópico em forma de spray, observamos achados pouco específicos, embora sugestivos, como inchaço e vermelhidão (edema e hiperemia) das aritenóides (cartilagens situadas na região posterior da laringe em contato com a parte superior do esôfago), inchaço e vermelhidão das pregas vocais, principalmente em seu terço posterior e outras alterações características do trauma de longa data sofrido por elas.

Usamos medicamentos que visam reduzir a secreção ácida do estômago. Outros remédios que visam diminuir o tempo de contato do esôfago com o agente refluído, chamados de procinéticos. Mesmo com todos esses cuidados, os sintomas podem permanecer e nesse caso, as drogas devem ser reajustadas ou outras medidas específicas devem ser adotadas. Em alguns casos, está indicado o procedimento cirúrgico.  No caso do refluxo gastroesofagofaringolaríngeo, o ideal é uma boa relação entre o otorrino e o gastro de confiança deve ser mantida para o tratamento adequado do paciente.