Por que nem toda tontura é labirintite? Entenda os motivos

Dependendo da parte do labirinto que foi afetada por alguma infecção também é possível ter sintomas auditivos

Dr. Bruno L. Alencar, otorrinolaringologista, CRM 18299 RQE 13511

A labirintite é a inflamação do labirinto. Essa é uma estrutura delicada que fica na parte mais interna do ouvido e que é responsável pela audição e equilíbrio. A maior parte dos casos se inicia após uma infecção viral comum, como um resfriado ou uma gripe.

O que acontece na labirintite?

O labirinto é um órgão que tem duas funções básicas: captar o estímulo sonoro do ambiente, e após transformar o estímulo, transmiti-lo ao cérebro; e perceber os movimentos que fazemos com nossa cabeça e corpo, com a finalidade de propiciar um equilíbrio corporal adequado e a estabilização da imagem que vemos.

Quando ocorre uma inflamação nesse local ele passa a enviar sinais confusos para o cérebro. É desse efeito que surgem sintomas como tonturas, náuseas ou a impressão de que se está em movimento quando, na verdade, você está parado. Dependendo da parte do labirinto que foi afetada pela infecção também é possível ter sintomas auditivos, como perda de audição, zumbido e sensação de ouvido entupido.

Quais são as causas?

A labirintite pode ter inúmeras causas, por isso seu diagnóstico costuma ser delicado e muitas vezes necessária uma avaliação complementar extensa. As causas mais comuns são infecciosas, sejam elas virais, como gripes e resfriados; herpes; infecções por bactérias, como em algumas otites (inflamação no ouvido) e sinusites; e até mesmo devido meningites.

Quem corre mais risco de sofrer com o problema?

A labirintite costuma ser mais comum em pessoas com idade acima de 40 anos. No entanto, existe uma série de fatores que podem predispor ao problema, ou então agravá-lo. E eles são bastante variados, veja só: valores de glicose sanguínea alterados, níveis altos de triglicérides e/ou colesterol, hipertensão, diabetes, infecções, alcoolismo, tabagismo, uso de certos medicamentos, problemas emocionais e até má alimentação.

Como reconhecer a labirintite?

O sinal mais conhecido da labirintite é a vertigem, quando você sente que tudo ao seu redor está se movimentando. Porém, existem outros sintomas que pedem atenção: tonturas, náuseas, suor excessivo, perda da audição, desequilíbrio, zumbido. Vale dizer que os sintomas começam de repente e podem durar minutos, horas ou dias. A avaliação clínica é essencial para o diagnóstico.

É verdade que a alimentação influencia?

É verdade, sim. Há alimentos que podem piorar a labirintite de maneira direta (quando atuam junto ao labirinto) ou indiretamente (quando mudam o metabolismo sistêmico ou alterando a função do sistema nervoso central), tais como: açúcares, farinha branca, embutidos, bebidas alcoólicas, cafeína, alimentos muito salgados (devido a grande quantidade de sódio).

O que se deve fazer no meio de uma crise?

Durante uma crise de labirintite, é importante manter-se calmo, geralmente ficar deitado em uma posição confortável (de lado geralmente costuma ser melhor); evitar chocolate, café e álcool; suspender o tabagismo; evitar luzes de forte intensidade; e assim que possível procurar o atendimento médico especializado.

Qual é o tratamento?

O tratamento para labirintite deve ser prescrito por um médico, após saber as causas do problema. Em geral, são prescritos medicamentos para amenizar os sintomas. Além disso, são passadas orientações específicas para reduzir os incômodos e diminuir a reincidência do problema.

Existe alguma consequência grave?

A inflamação do labirinto pode deixar algumas sequelas, como redução da audição, tontura crônica, zumbido, sensação de mareio. Portanto, se você se identifica com o quadro de vertigem, náuseas, desequilíbrio e perda da audição, procure um médico.