Polícia Civil de Irati prende policial militar suspeito de envolvimento na chacina

Mais três pessoas podem estar envolvidas no crime; duas já foram identificadas e estão foragidas

Jaqueline Lopes

A Polícia Civil de Irati conseguiu prender um dos suspeitos envolvidos na chacina que ocorreu no dia 16 de junho, na Vila São João, onde cinco pessoas foram mortas a tiros. O cumprimento do mandado de prisão preventiva foi expedido em desfavor de um policial militar. A Polícia acredita que mais três pessoas estão envolvidas e duas delas já foram identificadas e estão foragidas.

A partir da data do crime, a Polícia Civil vem realizando diligências incessantemente, visando colher e documentar elementos de prova do crime. No curso das investigações, levantaram-se provas suficientes que deram base ao pedido de prisão feita pela autoridade policial. O suspeito teve voz de prisão na Delegacia de Polícia Civil de Irati, depois, foi encaminhado para a Polícia Militar, onde seguiu para Ponta Grossa.

Na foto, as cinco pessoas que foram mortas a tiros no feriado do Corpus Christi – Foto: Reprodução

De acordo com o delegado de Polícia Civil de Irati, Dr. Paulo Eugênio Ribeiro, o policial militar já prestou depoimento e manteve a versão da primeira vez que foi ouvido, logo após o crime. “Ele manteve a mesma versão, ainda que contradizendo em relação a alguns pontos, mesmo que a gente tenha mostrado provas que conseguimos coletar, que são técnicas e indicavam que ele estava no local do crime, mas nada disse sobre o caso. Ele não chegou a confessar em momento algum a participação”, comenta o delegado.

Investigações

Diante da linha de investigação, a Polícia Civil conseguiu elucidar, praticamente, todo o crime. Segundo o delegado, os autores, que acreditam que além do policial militar mais três pessoas estão envolvidas, chegaram pela rua de baixo, e tinham a intenção de matar a pessoa que estava na residência aos fundos, no entanto, outras estavam no caminho e acabaram sendo mortas.

Ainda, a Polícia Civil identificou marcas de disparos de armas de fogo nas paredes o que pode conduzir e indicar que houve confronto na residência, além disso, um dos autores foi atingido no braço. “A partir desta informação, a gente conseguiu levantar a rota de fuga, traçar esse perfil e colocar os autores na cena do crime. Com isso, formamos essa linha de investigação e chegamos até o policial militar”, disse o delegado.

Tudo que chegou até a Polícia Civil foi apurado e verificado.  O delegado informa que já tinham o cenário, praticamente, montado, e precisaram coletar mais algumas provas para poder definir e chegar ao pedido de prisão. Na mesma semana, a Polícia Civil recebeu uma prova técnica, irrefutável ao ponto de vista técnico, que colocou o policial militar na cena do crime, mesmo ele alegando que não estava.  

Com essa informação, a PC fechou o entendimento e solicitou o mandado de prisão preventiva, que foi expedido pela Vara Criminal de Irati. A operação teve apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar que deu o suporte e auxílio.

As investigações foram rápidas, em menos de um mês do crime, a PC já conseguiu prender um suspeito. “Vale ressaltar o trabalho que o setor de investigação fez durante todo esse tempo que foi incessante, cansativo, mas conseguimos obter êxito, a partir de métodos de investigação”, observa Ribeiro.

“Vale ressaltar o trabalho que o setor de investigação fez durante todo esse tempo que foi incessante, cansativo, mas conseguimos obter êxito, a partir de métodos de investigação” – Delegado Dr. Paulo Eugenio Ribeiro

“Foi um trabalho incessante, até pela gravidade e crueldade que aconteceu em Irati, que deveria ser uma cidade tranquila. Mas vale frisar que o trabalho da Polícia Civil foi muito bem feito, são provas irrefutáveis, praticamente, a partir dessas novas técnicas de investigação, que estão começando a empregar este ano em Irati”, destaca o delegado Paulo.

Agora, com a prisão, a PC tem um prazo de 10 dias para concluir as diligências. Após, será elaborado um relatório das investigações. E, provavelmente, haverá o indiciamento dos três autores identificados, por homicídio triplamente qualificado.

Posição da Polícia Militar

O policial militar preso faz parte da 8ª Companhia Independente da Polícia Militar de Irati (CIPM), e atuava na atividade operacional, cumprindo escala da rádio patrulha. Segundo o comandante Major Sergio do Prado Nabozny, o PM foi encaminhado para a sede da 8ª CIPM, por questões administrativas, e conduzido até Ponta Grossa. 

A 8ª CIPM ainda não teve acesso aos autos para saber o envolvimento do militar no crime e desconhecem os elementos que levaram a prisão do PM. Após analisar o documento, serão tomadas as medidas administrativas necessárias. “Quando recebermos os autos, ou cópia, verificaremos a parte administrativa da permanência ou não do PM. Claro que há desdobramentos. Como todo cidadão, ele terá direto a ampla defesa contraditória, de se defender, tanto no processo comum quanto administrativo”, observa o Major. Somente após ter esses autos, será avaliada a situação do PM e quem irá analisar o caso, se será pela 8ª CIPM ou o comando geral.

O comandante destaca que a Polícia Militar sempre colaborou com toda a investigação, assim como prestaram apoio. No local do crime foi feita a preservação pela equipe e as provas colhidas pelas pericias foram encaminhadas normalmente.

Ainda, o Major reafirma o compromisso da Polícia com a população. “Nós reafirmamos que a PM, bem como o comando, não compactua com nenhum desvio de conduta dos nossos policiais. Foi uma situação que nos tomou de surpresa, porque o policial que foi preso, preventivamente, era um excelente PM”, afirma o Major.

Relembre o caso

No dia 16 de junho, feriado de Corpus Christi, por volta das 20h30, no bairro Vila São João, em Irati, cinco pessoas foram mortas na casa de número 47, na Rua Rondônia. Dois homens foram assassinados fora da casa, um na estrada e o casal dentro da casa. As vítimas do crime foram o casal Wellington Vieira de Andrade e Jaine Shaiane Fernandes, de 21 e 27 anos, respectivamente; Alex Cesar Ferreira, de 24 anos; Danilo Vinicius Gaioch Conrado, de 18 anos; e Ednaldo de Souza Nascimento, de 33 anos.

De acordo com o Doutor Paulo César, todas as vítimas do crime tinham registros de boletim de ocorrência e todas elas foram identificadas, primeiramente, com mais de um tiro, tendo ferimentos de armas de alto calibre, calibre baixo e até de cortes profundos de arma branca.