Rio Azul participa de projeto sobre circulação de sementes e mudas crioulas

Cerca de 100 famílias agricultoras do município serão beneficiadas na primeira etapa

Jaqueline Lopes

Rio Azul participa do projeto de Conservação e Multiplicação da Agrobiodiversidade (PECMAP), que visa à circulação das sementes crioulas. Através da Secretaria de Agricultura e da Cooperativa Mista de Diversificação da Agricultura Familiar de Rio Azul (COMDAF), que é parceira da Rede Sementes da Agroecologia (RESA) e da Agricultura Familiar e Agro¬ecologia (AS-PTA).
O projeto é divido em três etapas. A primeira começou em setembro deste ano, em que foram doadas diversas variedades de milho crioulo. Todas passaram pelo teste de transgenia para garantir a pureza das sementes. Além disso, foi ofertado batata inglesa, adubação verde, ramas de mandioca mudas de batata salsa.
Nesta primeira etapa do projeto, cerca de 100 famílias agricultoras de Rio Azul serão beneficiadas. Ao todo, serão distribuídos 600 quilos de sementes, que vieram de várias cidades do Paraná. Como dentro do programa existe esta troca, através da COMDAF, serão enviados 1.700 quilos de sementes para outros municípios.
A idéia é contribuir para a proteção da agrobiodiversidade e valorização econômica da produção de sementes destinadas à produção de alimentos saudáveis, fortalecendo a agricultura familiar. “É um projeto que visa a conservação, multiplicação e disseminação de sementes orgânicas, que os nossos avós tinham, que servem para a existência do ser humano e hoje são sementes eu não sofreram a intervenção genética feita em laboratório. Isso é muito positivo, porque se a gente analisar são poucas pessoas que ainda conservam essas sementes”, comenta o secretário de Agricultura de Rio Azul, Airton Moretto.
Para a responsável pelo projeto no município e chefe de produção vegetal, Letícia Ferraz de Lima, este projeto vai manter a biodiversidade, visto que com o tempo está cada vez mais difícil manter a pureza das sementes crioulas. “O projeto de conservação e multiplicação vem de encontro a essa necessidade, mantendo a biodiversidade e proporcionando uma alimentação mais saudável a população. Além disso, é um projeto que estimula a solidariedade e o fortalecimento dos grupos de agricultores, cooperativas e associações da região, ampliando a rede de sementes do estado e retornando variedades perdidas para as comunidades rurais”, disse.
O projeto surgiu da necessidade de garantir a circulação das sementes e mudas crioulas, que ficaram comprometidas com a pandemia causada pela Covid-19. Antes, o fluxo das sementes acontecia nas dezenas de feiras e festas que eram realizadas em todo o estado do Paraná pela ReSA, mas como a realização traz riscos à saúde das famílias participantes. Pensando na saúde de todos a ReSA cancelou esses eventos por tempo indeterminado, e para dar continuidade ao processo de distribuição de sementes crioulas criou o PACMAP.
PROJETO NO PARANÁ
Para o Paraná, foram destinados, pelo MTP-PR, R$ 565 mil para o projeto e resultaram em 32.306,5 quilos de sementes de grãos (milho, feijão e arroz); 27.075 mudas de oito variedades de mandioca 50 mil mudas de batata salsa. Em todo o Paraná, cinco mil famílias serão beneficiadas com o projeto, em 70 municípios.