Francisco Pabis

Trabalho, amor, dedicação, perseverança, solicitude foram os atributos que marcaram a sua vida

Nelsi Antonia Pabis

A história da família Pabis inicia no Brasil por volta de 1880, quando o casal Pedro Pabis e Cecília Jaworski Pabis com os filhos Adão, Estanislao, Catharina, Anna, José e João imigraram da região de Jaslo – na época Império Austro-Húngaro, atualmente Polônia, e instalaram-se na Colônia Tomaz Coelho – município de Araucária. De acordo com Wachowicz no livro: Tomaz Coelho: uma comunidade de camponeses, estabeleceram-se na localidade de Roça Velha – lote n. 193. Aí o casal teve mais um filho, Luiz que nasceu em 26 de maio de 1894. Luiz casou-se com Antonia Bojan, filha de imigrantes poloneses, na Igreja Nossa Senhora dos Remédio sem 26 de maio de 1914. Com a escassez de terras na região, o sonho de tornarem-se proprietários rurais, atraídos pelas terras férteis, pinheirais e ervais no início da década de 1920, Luiz, seus irmãos e mais 26 famílias instalaram-se na região de Fernandes Pinheiro. Gluchowski em Os poloneses no Brasil menciona que “perto de Fernandes Pinheiro 18 famílias vindas dos arredores de Araucária possuem 1.126 alqueires de terra. É uma marca significativa da colonização secundária, espontânea, que ocupa os terrenos particulares comprados de fazendeiros brasileiros”. Os irmãos Pabis são proprietários.

Bronislava Soczek e Francisco Pabis no dia do casamento – 11/07/1949 – Foto: Arquivo Familiar


Luiz e Antonia instalaram-se na localidade de Barro Preto, atualmente município de Imbituva. Tiveram 10 filhos: Bronislava, Maria, Verônica, Francisco, José – faleceu na infância, Ana, Pedro, Cezário, Cecília e Lúcia.
Francisco nasceu em 02 de maio de 1921. Iniciou o curso primário na escola local, sua professora a Sra. Nida Lejambre Camargo e, posteriormente, em regime de internato no Colégio Nossa Senhora das Graças, em Irati, fundado pelas Irmãs de Caridade de São Vicente de Paulo, vindas da Polônia. Era uma escola étnica, estudou em língua polonesa e portuguesa. Serviu no Tiro de Guerra de Imbituva; em 1942 foi convocado para o serviço ativo do exército no 13º R. I. em Ponta Grossa; em 1945 foi convocado para compor a força expedicionária brasileira para combate na Itália, chegando até o Rio de Janeiro quando receberam a notícia do final da guerra. Aliviado, pois uma guerra traz incertezas, retornou ao convívio da família participando nas atividades agrícolas. Posteriormente dedicou-se ao comércio de madeira, trabalhando com carro de boi, em seguida dedicou-se ao transporte de mercadorias.

Francisco Pabis desfilando no cinquentenário de Imbituva – maio de 1971 – Foto: Arquivo Familiar


Francisco casou-se com Bronislava Soczek em 11 de julho de 1949 na Paróquia São Miguel. A festa de acordo com as tradições polonesas: saída dos noivos para a cerimônia religiosa da casa da noiva, carroças enfeitadas com flores de papel crepon, recepção na residência dos pais da noiva com muita música ao violino, cerveja caseira, cuques, fogos de artifício, almoço e um divertido baile. Do seu casamento nasceram quatro filhos: Nelsi Antonia, José Luís, Francisco Cesar e Wilson Pedro, sete netos e dois bisnetos.
Dedicou-se ao transporte de mercadorias abastecendo o comércio local. Foi um dos primeiros motoristas a transportar na festa de São Cristóvão a imagem que percorria as principais ruas da cidade. Transportou, graciosamente, de Campinas para Irati parte da imagem de Nossa Senhora das Graças construída para a comemoração do cinquentenário de Irati e, também, parte da areia.
Na década de 1960, iniciou atividades de extrativismo, cultivo e processamento da erva-mate. Construiu, às margens da atual BR 153, Irati-Imbituva, localidade de Barro Preto, modernas instalações para processamento de erva-mate, sendo um dos precursores do processo mecanizado na região contribuindo para o desenvolvimento local. Liderou a construção e implantação da Escola Municipal Rural da localidade de Campina da Floresta – Imbituva, transferida para a localidade de Barro Preto, hoje, Escola Municipal do Barro Preto. Liderou a construção da Capela Nossa Senhora Aparecida nesta localidade. Anualmente, organizava as celebrações religiosas e festivas. Neste período, canalizou água para a sua propriedade, estendendo para a Escola e Capela. Fornecia espetos para churrasco para festas nas igrejas até serem substituídos pelos espetos de ferro. Tinha um carinho especial por Imbituva, sua terra natal. Participou dos festejos do cinquentenário do município desfilando num trole imperial.
Admirava e respeitava a cultura polonesa, incentivava a preservação, principalmente através da língua, entendia que era um valor cultural imensurável. Cultivava tradições como a Swieconka, Oplatki, kolendy.
Valorizava a educação formal, incentiva os jovens a estudarem, alegrava-se com a aprovação dos filhos nos vestibulares. Maior orgulho eram as formaturas, as quais viveu intensamente.
Era zeloso com o que fazia, gostava da natureza, suas terras eram bem tratadas, isso lhe rendeu um aplauso, por escrito, por parte do prefeito municipal de Imbituva, José Bührer Junior, em 1969. Prestativo e solidário, auxiliava as pessoas em suas necessidades. Devido à precariedade das estradas, sempre tinha um carro com tração e era solicitado para tarefas como transportar pessoas para festas, doentes para hospitais e falecidos para sepultamento. As pessoas da comunidade sabiam onde era a janela de seu quarto e, muitas vezes, de madrugada, bateram solicitando ajuda. Não praticava esportes, mas incentivava os jovens da localidade, patrocinava uniformes para um time amador, transportava, em seu caminhão, os jogadores para jogos em outras localidades.
Pelos serviços que prestou na comunidade uma rua da cidade de Irati recebe o seu nome.
Faleceu em 26 de maio de 1997, está sepultado no Cemitério Municipal de Irati, no jazigo da família de Luiz Pabis. Deixou-nos exemplos de coragem, firmeza e principalmente fé em Deus para trilharmos nossa caminhada.