4ª Regional de Saúde será pioneira na linha de cuidados em pacientes com sobrepeso e obesidade

Ideia é que o acompanhamento seja feito na Atenção Primária, e todos os municípios sigam as mesmas diretrizes de trabalho

 Jaqueline Lopes

A 4ª Regional de Saúde deu início a um importante projeto para a região de Irati relacionado aos cuidados e prevenção de pacientes com sobrepeso ou obesos, que começará pela Atenção Primária, nas Secretarias Municipais de Saúde. A atividade envolve todos os municípios que fazem parte da regional.

Para inicias os trabalhos, foi criado um grupo técnico com colaboradores de várias áreas, uma equipe multidisciplinar. As reuniões e conversação para saber como será o regimento interno e os atendimentos com pacientes já foi realizada. Cada um dos representantes vai levar as informações para o município. A partir daí, uma nova equipe será criada para que possam atuar com os pacientes.

Com esta equipe, será possível conhecer as demandas de cada município e discutir como será essa linha de cuidados a nível regional. Assim, cada cidade fará um levantamento da população que está com sobrepeso ou obesa. Os profissionais de saúde já começaram a anotar peso e altura do paciente que procura a Unidade de Saúde, e vão calcular o Índice de Massa Corporal (IMC). Desta forma, poderão saber quem está com sobrepeso e iniciar a linha de cuidados na prevenção e não evoluir para a obesidade.

Segundo a secretária de Saúde de Fernandes Pinheiro, Emanuele De Matos, o atendimento começa com uma consulta clínica, é feito o cálculo do IMC e inicia o acompanhamento. Caso haja alguma alteração no exame, o paciente vai para o consórcio, para especializadas. Porém, alguns municípios ainda não têm essa equipe completa. Agora, com esta ideia, será criada uma linha de cuidados em que todas as Secretarias seguirão. “O paciente vai se comprometer a perder peso antes da cirurgia e os profissionais vão trabalhar nos cuidados para que ele perca peso com saúde”.   

A 4ª Regional ajudará na criação da linha de cuidado e incentivo, com capacitações, na parte burocrática e teórica do processo para que as equipes possam replicar no município o que vai ser a prática da linha de cuidados. “A nossa intenção é trazer pessoas de outras áreas para virem falar com os nossos profissionais sobre o assunto, encontrar especialistas que já trabalham com a linha de cuidados de obesidade, com atuação na área. A equipe trabalhou pouco com esse atendimento,  por isso, vamos levar mais conhecimento”, comenta a fisioterapeuta Caroline Gianna da Silva, que trabalha na seção de regulação e auditoria da 4ª Regional.

Os representes da 4ª Regional de Saúde são: Márcio Rodrigo Schoenherr (DVGAS); Caroline Gianna da Silva (SCRAVA); Emanuele Moravieski de Matos (SCVGE); e Joaciane Souza (SCAPS). Já a equipe técnica é formada por: Silvana Spisila de Imbituva como gestora; Evaldo Dorocinski de Rio Azul como educador físico; Mari Stela K Derkascz de Guamiranga é a Assistente Social; Silvane gravonski de Inácio Martins é a coordenadora da Atenção Primária em Saúde; João Paulo Lukavy de Irati é o médico; Ívinia Mara Cordeiro da Silva de Fernandes Pinheiro é a nutricionista; Daniel Nazzar Kengerski de Rebouças é o psicólogo; Emanuelle Ogg de Teixeira Soares é a farmacêutica; e Aline Carla Donda de Mallet é a enfermeira.

IDEIA DO PROJETO

A ideia do projeto partiu da própria Regional, e tem o acompanhamento da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), e foi implantada devido à necessidade da região, principalmente com os dados do Brasil sobre o aumento de pessoas obesas e com sobrepeso Além disso, a obesidade é uma comorbidade e fator de risco em casos graves de Covid-19.

De acordo com uma Pesquisa Nacional de Saúde do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dos dados da PNS 2019, em parceria com o Ministério da Saúde, seis em cada dez brasileiros apresentavam excesso de peso. Ou seja, cerca de 96 milhões de pessoas estão acima do peso no país — isto é, o resultado do IMC indica que elas estão na faixa de sobrepeso ou de obesidade.

Outro dado importante que a Regional seguiu é do número de pacientes da região que buscam pela cirurgia bariátrica, até 2019, 51 pessoas aguardavam na fila do SUS pela cirurgia. “Nós queremos que os municípios entendam a importância de cuidar desse grupo de pessoas. Com planejamento e promoção da saúde, diminui os gastos para o município e melhora a saúde do paciente”, disse Joaciane Souza, técnica de enfermagem da atenção primária.

Caroline explica que decidiram mudar a forma de trabalho para construir essa linha de cuidados. “Geralmente, essas informações da linha de cuidado vem de cima, mas a gente vai fazer ao contrario, queremos saber dos municípios, na atenção primária, quais as possibilidades que tem para esses pacientes, quais profissionais eles tem para que a gente possa criar uma linha de cuidados baseada na realidade dos municípios”, disse

Equipe técnica criada pela Regional para atendimento aos pacientes (Foto: Reprodução)

O chefe da 4ª Regional de Saúde, Walter Trevisan, parabeniza os profissionais pela iniciativa e agradece na ajuda. “Sei que dentro da equipe da regional sempre tive excelentes profissionais. É um orgulho poder, mesmo o estado não tendo implantado essa linha de cuidados, nós, mais uma vez, com apoio de todos os secretários de Saúde, criamos esse grupo técnico para que possamos dar andamento nessa linha tão importante de atenção que é do sobrepeso e obesidade”.

PACIENTES

De acordo com Caroline, a ideia da Regional é começar pelos pacientes que estão na fila para a cirurgia bariátrica, pois é preciso que seja feito um acompanhamento de dois anos antes de realizar o procedimento, pois são muitas mudanças e o pós-operatório precisa de muitos cuidados. Muitos casos estão parados devido à pandemia, e como precisam estar de acordo com a resolução da Sesa, será dado início à orientação. Depois, seguirá para os demais pacientes que surgirem durante o levantamento feito pelos municípios.